Houve uma divisão cultural.
De um lado, o pós-modernismo, ou wokismo, que rejeita a verdade
objetiva e procura censurar a língua e a mente, acreditando que
assim liberta, mas conduzindo ao caos e à fraqueza.
Do outro, o reacionismo autoritário, que ameaça devolver-nos aos
erros de um século que já mostrou o que significa a miséria humana
causada por humanos.
A paz, e a transcendência da guerra cultural, não é a ausência de
inimigos; é a decisão de parar de ser um.
Só assim se destrói o pior de cada lado, o que arrisca destruir-nos a
todos.
O perigo não é apenas um destes extremos chegar ao poder, mas
chegar primeiro à mente dos cidadãos, pois a guerra começa muito
antes do primeiro tiro: começa no coração de quem esqueceu de
olhar o outro como igual.
O amor da direita pela ordem e pela coragem protege o mundo,
mas a ordem deve servir a vida, não dominá-la.
A compaixão da esquerda mantém a consciência viva, mas precisa
assentar-se na verdade, ou desmorona-se em confusão.
E a devoção do centro ao diálogo sustenta a democracia, mas o
diálogo precisa de direção e força, ou perde-se na indecisão.
A verdade está espalhada pelos campos políticos, cada um com um
fragmento do que já esteve unido.
Sem as restantes verdades, virtudes tornam-se vícios.
Em vez de cada fação representar apenas uma parte da verdade e
negligenciar as outras, devemos aspirar a que todas integrem a
verdade completa e, a partir dela, defendam programas políticos
diferentes.
A direita deve reconhecer que o wokismo, por mais problemático
que seja, nasce de uma verdade: há injustiças e exclusões que
devem ser reconhecidas e superadas- por consciência, não por
censura.
E a esquerda deve reconhecer que o reacionismo, por mais
perigoso que possa tornar-se se governar, também nasce de uma
verdade: o wokismo perdeu o equilíbrio moral.
Um perdeu a verdade por falta de amor; o outro perdeu o amor por
falta de verdade.
O futuro será dos que unirem estas verdades, não dos que
insistirem em dividi-las. Unir estas virtudes não é apenas uma
opção política- é a próxima etapa da nossa evolução moral.
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