O ser humano foi dotado de imaginação como nenhum outro animal.
Foi um salto evolutivo imenso e, até agora, um salto bem-sucedido.
Dominamos o mundo porque conseguimos imaginar fazê-lo.
Mas nada garante que esta capacidade será sempre um sucesso.
Porque a imaginação que cria também pode destruir.
E a evolução não garante resultados; apenas testa possibilidades.
Muitos animais cresceram demasiado depressa e extinguiram-se,
não por falta de força, mas por falta de equilíbrio.
A imaginação humana traz o mesmo risco.
Se estamos ligados à vida, sentindo-nos parte dela, usamos a imaginação para gerar vida.
Se nos sentimos à parte dela, isolados e desconectados, usamos a imaginação para produzir destruição.
E estes impulsos estão presentes em todos nós.
Quando alguém assiste a uma luta na rua e prefere vê-la continuar em vez de acabar;
quando alguém se alegra com a queda de um colega, mesmo sem ganhar nada com isso;
quando existe aquela parte de nós que, silenciosamente,
“quer ver o mundo a arder”.
Temos a capacidade imaginativa para o fazer,
e temos a tecnologia para o tornar real.
É por isso que precisamos conhecer-nos e reconhecer-nos.
Já criámos os instrumentos que podem pôr fim à nossa própria espécie.
E seria apenas a história comum de um animal que cresceu rápido demais e se destruiu a si próprio.
Mas também podemos salvar-nos.
Podemos usar o nosso lado destrutivo contra ele próprio:
dirigir essa força para destruir a destruição em nós.
Podemos evoluir em sabedoria e moralidade
como evoluímos em poder e tecnologia.
Não sei quanto tempo temos para fazer esta transformação.
Mas sei que é necessária.
E aquilo que é necessário tem uma força própria,
a força da inevitabilidade.
Deixe um comentário